Este momento de conclusão à análise do tema tratado - A dinamização de grandes eventos / projectos como pretexto para o planeamento urbano - é complexo, e não pode ser entendido como definitivo. As conclusões destas temáticas nunca são possíveis de se fazer sem que decorra algum tempo, e isso significa décadas. Possível é uma abordagem decomposta em duas partes. Uma teórica e outra que resulta da observação da realidade já experimentada e vivida até aqui.
Na abordagem teórica e conceptual, a aplicação do planeamento estratégico é provado e eficaz. Mas certo é que, por ser estratégico, deverá cumprir e servir de exemplo para futuro.
Neste tipo de operações, a cidade não é simplesmente planeada, é também, e intencionalmente projectada ou desenhada. A forma faz parte destes planos e a operação é estudada como um neo-projecto de escala urbana.
A permanente transformação da cidade e a necessidade de prever as suas infra-estruturas, equipamentos e reservas, bem como de estabelecer regras para o seu crescimento, obrigam ao estabelecimento de critérios gerais de uso do solo e de morfologia urbana, tais como, relações com a cidade existente, zonamentos, servidões, áreas non aedificandi e regulamentação urbana da edificação.
A realização de diversas operações urbanísticas especiais associadas à renovação urbana alertou, entretanto, para a possibilidade de, a partir de um plano de escala intermédia, ser possível definir estratégias para a cidade e concretizar operações muito mais abrangentes do que o estrito território em causa nessa operação.
Tornou-se evidente que, nestas operações, era possível definir algumas directrizes relativamente à macro forma/funcionamento da cidade e, simultaneamente, concretizar a realidade da área localizada, no que se refere aos seus perfis urbanos, disposição e regras do edificado, usos, parques, entre outros.
No caso Expo98, a esta distância temporal é clara a degradação qualitativa do espaço inicialmente planeado. O que era um caso de sucesso tornou-se num pesadelo.
Os relatos são frequentes no sentido de demonstrar que o espaço é já um custo elevado na sua manutenção. A afluência externa à nova centralidade provoca a saturação dos residentes. Óbvio é que o planeamento estratégico aplicado foi completamente ultrapassado pela lógica imobiliária, que em presença de um grande exercício urbanístico potenciou a sua qualidade numa forma desenfreada. Destruindo o espaço urbano numa das suas funções básicas, a da utilização ou usufruição.
No caso de Guimarães, com os seus 5 Projectos, as ideias avançadas e discutidas até ao momento são também válidas no ponto de vista do planeamento estratégico. Não na sua totalidade das propostas, mas na sua maioria. Contudo é já visível a promiscuidade entre o público e o privado, começando desde já, e por analogia com o caso Expo98, o erro capital da tentação da viabilização de espaços urbanos convenientes para os interesses privados.
As afirmações do próprio responsável pela implementação dos projectos, Eng. Júlio Mendes na entrevista feita, são ambíguas e claramente de cariz politicamente correcto. Aposta no desenvolvimento de novas centralidades, com elementos urbanos de marca cosmopolita – caso do metropolitano suspenso – na senda dos efeitos modais. Mas na prática sem qualquer tipo de ligação coerente com a rede de transporte urbana, perdendo a sua eficácia.
O horizonte de aplicação destes projectos é o ano de 2012. Devem ser entendidos como momentos de aproveitamento de um evento para renovação urbana, no caso a realização da Capital Europeia da Cultura. Até na forma de financiamento público, referido na entrevista citada – o apoio do QREN.
Claro fica que os momentos de realização de eventos são importantes na renovação urbana. Apoiados em planeamento estratégico, pois permitem sinergias técnicas e financeiras únicas. Falta só acrescentar a estes processos o rigor e o sigilo, não permitindo a informação privilegiada claramente destruidora.
Ouvindo mais as pessoas, pois são elas que fazem e vivem a cidade. mantendo a Alma do Lugar.





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